Compositor: Não Disponível
Você já cresceu
Já tem seu próprio fogão
E seu próprio par de luvas de forno
Tem compromissos e encontros
Mantém as aparências e tem uma reputação
Você senta no parque e trabalha em seus sonetos
Fala de si mesmo no passado
Tem opiniões que não se abalam
E princípios firmes
Entende o que eu digo? Entende o que eu digo?
Entende o que eu digo? Entende o que eu digo?
Entende o que eu digo? Entende o que eu digo?
Entende o que eu digo? Entende o que eu digo
É sua expressão favorita
Você sabe o que quero dizer, sabe o que quero dizer
Você sabe o que quero dizer, sabe o que quero dizer
É sua segunda expressão favorita
Você fala inglês melhor que qualquer um
E xinga como ninguém jamais fez
E tem um pau maior que qualquer homem que já existiu
E goza mais que cem garanhões
Em um quarto que cheira a cigarro e carniça
Debruçado em lençóis gelados e úmidos
Você viaja longe e por toda parte, por planícies e oceanos
Estepes e pântanos em pontes celestiais
E derruba portas e entra pelas janelas
E escuta, escuta, escuta, escuta, escuta, escuta, escuta, escuta
Você consegue ouvir isso?
Os sinais de vida?
Ainda não acordou?
O movimento, o enrugar dos olhos?
Um cobertor que forma montanhas
O vale entre o joelho e a bochecha
A descida íngreme até os pés
O dedão saindo, cuidado, não toque!
Tenha disciplina, meu garoto, apenas observe, fique do lado de fora, fique do lado de fora
No frio
Você consegue sentir, consegue sentir, consegue sentir
Viu? Há um universo neste quarto
Você, que revirou banheiros e saqueou tumbas
Você não precisa trabalhar porque trabalhar é para otários
Você sabe que Deus iluminará seu caminho
Você está pronto para admitir assassinato, agressão
Roubo, pederastia, fraude
Você está pronto para assumir a culpa por cada crime de todos os homens
Mas o júri está almoçando
Você imagina a câmera vagando que captura sua melancolia
Anda pelas ruas que fedem a doença
Levanta a gola como James Dean
Coloca a mão direita debaixo do casaco
E finge que tem uma arma
Coloca a mão esquerda debaixo do casaco
E finge que é Napoleão
Espreme suas espinhas até sangrar
Vira o rosto para que ninguém veja
Os mendigos ainda tocam acordeão?
Você deveria pagar um para te seguir e tocar seu tema
Logo suas unhas vão cantar
Logo seus brincos vão tocar
Logo seus órgãos vão crescer bocas pequenas
E falar por si mesmos
Logo seu corpo vai encenar uma guerra civil
Logo seu coração vai explodir livre
E logo ele vai olhar em seu rosto e perguntar
O que você fez?
Por que o desviou do caminho?
Logo seu cérebro vai migrar
Logo seus testículos vão se auto-castrar, seus pés vão correr
Suas mãos vão voar
Logo seus olhos vão se colar
Logo suas pernas vão se recusar a te sustentar
Tão envergonhadas de carregar seu nome
Seu corpo vai desaparecer de vergonha
O primeiro passo é a aceitação
Admita que você não tem ideia do que está fazendo
Admita que você não tem nome e nem ambição
Admita que você anda dormindo pela vida
Admita que você só dorme noites sem sono
Admita que seus melhores sonhos envolvem ser carregado
Aquele espírito que entra no seu quarto
Aquelas mãos que envolvem você, coitado!
Que te levam embora
Nessas mãos você escapa, se dissolve entre as nuvens
Londres encolhe enquanto você a deixa para trás
Londres se transforma em uma vila em miniatura
E agora você é um com você mesmo
Você finalmente se orgulha
Admita que tentou chorar e não consegue
Admita para si mesmo, ninguém mais se importa
Não há júri presente, não há repórteres
Não há exame, é só você
Logo você vai desaparecer
Logo você não estará aqui
Logo você terá todo o tempo do mundo
Logo seus lábios vão se desenrolar
Logo seus lábios vão se expandir
Você vai puxá-los para longe, acima da cabeça
Logo você vai estar do avesso
Logo suas veias vão se soltar
Logo elas vão se espalhar por milhas
Logo suas veias vão transportar trens por todo o mundo
Logo suas veias vão ser uma ferrovia
Logo sua mente vai se extrair
E muito em breve você vai desaparecer, logo você vai desaparecer
Você vai ficar bem, apenas relaxe
Logo você vai desaparecer
Essa é a única verdade